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Modo automático do Claude Code: 5 ajustes antes do dia 14
O checklist de configuração pra não perder o controle quando o Claude Code ligar o modo automático por padrão.
Dia 14 de agosto o Claude Code passa a ligar o modo automático por padrão no Pro, no Max e no Team. Na prática: ele para de te perguntar a cada comando e passa a executar, com um classificador de segurança olhando cada ação antes dela rodar.
Muita gente vai receber essa mudança sem saber e vai achar que perdeu o controle. Não perdeu — só mudou de lugar. Antes o controle era você clicando "aprovar" cem vezes por dia (e a Anthropic mediu: a gente aprova 97% desses pedidos sem nem olhar). Agora o controle é a configuração que você deixa escrita antes.
São 5 ajustes. Levam uns 15 minutos e valem pro resto do ano.
1. Descubra em que modo você está hoje
Abre o Claude Code e aperta Shift + Tab. Isso circula entre os modos de permissão, e o modo atual aparece na barra de status. São seis:
| Modo | O que faz |
|---|---|
default (ou manual) | Pergunta antes de cada ação que altera algo |
acceptEdits | Edita arquivo sem perguntar, mas pergunta pra rodar comando |
plan | Só lê e planeja, não altera nada |
auto | Executa sozinho, com o classificador de segurança barrando o que for perigoso |
dontAsk | Não pergunta e não checa — só respeita suas regras de deny |
bypassPermissions | Ignora tudo. Só em container isolado |
O que muda dia 14 é qual deles vem ligado quando você abre. Se você não fizer nada, vai ser o auto.
Sabe o pior? Muita gente vai confundir auto com dontAsk e desligar a coisa errada. auto tem classificador. dontAsk não tem nada.
2. Escreva sua lista de deny — essa é a que importa
O classificador é bom, mas ele julga contexto. A lista de deny é regra dura: se está lá, não roda, ponto. E tem uma coisa que quase ninguém sabe: as regras são avaliadas nesta ordem — deny, depois ask, depois allow. Ou seja, um deny em qualquer lugar ganha de um allow em qualquer outro. É a única trava que nada por cima desfaz.
No seu ~/.claude/settings.json:
{
"permissions": {
"deny": [
"Bash(git push:*)",
"Bash(rm -rf:*)",
"Bash(docker system prune:*)",
"Read(./.env)",
"Read(./secrets/**)"
]
}
}Pensa no que na SUA operação não pode acontecer nem por acidente: subir pra produção, apagar volume de banco, mandar e-mail em massa, mexer no financeiro. Escreve tudo agora, com a cabeça fria — não às 23h no meio de um bug.
O Read(./.env) desse exemplo é o mais subestimado. Bloquear a leitura de credencial é o que impede a chave vazar pro contexto e, de lá, pra qualquer lugar.
3. Use ask pro que é sério mas legítimo
Nem tudo é "nunca". Tem ação que você quer fazer, só quer ver antes. Pra essas existe o ask — no modo automático ele continua parando e te perguntando:
{
"permissions": {
"ask": [
"Bash(npm publish:*)",
"Bash(supabase db push:*)",
"Write(./infra/**)"
]
}
}Além do que você marca com ask, o modo automático já para sozinho em três situações: ferramenta de MCP marcada como requiresUserInteraction, rm -rf / e rm -rf ~. Essas três são de fábrica, você não precisa configurar.
4. Libere o que é repetitivo e inofensivo
O outro lado da mesma moeda. Se toda hora você aprova git status, isso não é segurança, é atrito:
{
"permissions": {
"allow": [
"Bash(git status:*)",
"Bash(git diff:*)",
"Bash(npm test:*)",
"Read(./**)"
]
}
}E aí que tá o ponto que dá nome a tudo isso: fadiga de alerta. Quando tudo pede permissão, nada é revisado. No teste que a Anthropic fez com 1.053 testadores pagos, a revisão humana pegou o comando perigoso só 13,6% das vezes — 143 de 1.053. O classificador automático pegou 89% — 937 de 1.053. Não é que a máquina seja mais esperta que você; é que ela não cansa na centésima vez.
Cada allow que você escreve é um alerta a menos pra ignorar quando importar.
5. Se você administra um time, fixe o padrão da empresa
Duas coisas que só quem gerencia precisa saber, e as duas são fáceis de errar.
Primeira: dá pra fixar o modo padrão com permissions.defaultMode. Mas o auto é ignorado quando vem de .claude/settings.json ou .claude/settings.local.json do projeto — isso é de propósito, pra que um repositório não consiga se conceder modo automático sozinho. Se você clonar o repo de terceiro, ele não liga o auto na sua máquina. Pra valer de verdade, o auto tem que vir do seu ~/.claude/settings.json ou das configurações gerenciadas da organização.
Segunda: se a sua empresa não quer modo automático de jeito nenhum, existe o desligamento no nível da organização:
{
"permissions": {
"disableAutoMode": "disable"
}
}Isso tira o auto do ciclo do Shift + Tab e recusa --permission-mode auto já na abertura. Ninguém liga por engano.
Ah, e se você está no Enterprise, na API, no Bedrock, no Vertex ou no Foundry: pra você nada muda dia 14, continua sendo opção que alguém precisa ligar.
Uma última coisa
O classificador tem um freio que não é configurável: depois de 3 bloqueios seguidos ou 20 no total, ele pausa e te chama. Isso não é bug, é o sistema dizendo que a tarefa saiu do trilho.
Se isso acontecer com você, não force. Para e lê o que ele barrou. Semana passada, trabalhando, ele me barrou duas vezes num dia — e nas duas eu ia seguir em frente. Não era a IA me atrapalhando, era ela vendo o que eu não vi.
Segurança que depende de alguém clicar "aprovar" cem vezes por dia já não é segurança. É teatro. Dia 14 é a chance de trocar o teatro por regra escrita.
Fonte: documentação oficial do Claude Code e o anúncio da Anthropic sobre o modo automático virar padrão (Claude Code e o modo auto são produtos da Anthropic). Confira sempre a documentação atual antes de aplicar em produção.
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